Indíziveis versos

Feito para sublimamente dizer o que muitas vezes não é dito.



Um ódio grita em meu peito
Tamanha hipocrisia que vejo.
Afinal p'ra quê serve o espelho?
Todos negam a sombra que carregam,
Mas como encontrar a autenticidade escondida em si
Se lidar com o lado obscuro é ter de muitas coisas admitir?
Nós não queremos enxergar as verdades contidas.
Aprendemos a repelí-las
E aplaudimos a mentira
Disfarçada em máscaras que usamos,
Ignorando tudo que somos e gostamos.
Um egoísmo maldito nos impele
A desconhecer o que deveriamos reconhecer.
Isso não pode ser aquilo.
Aquilo não tem que ser isso.
É melhor assim,
Sem saber a realidade que se encontra em mim,
Sem entender começo, meio e fim.
Pois isso me conforta, me acomoda, 
Não me cobra.

By. Alan Oliveira



Esses olhos gratos
Que quando aflitos buscam por afago,
Inundando-se quando emocionados,
Vertendo águas de sal de tanto amar,
Envolvem minh'alma num bem estar
Ao paralisar meus olhos nesse seu olhar.

Olhos marrons,
Que de dia ou de noite podem ter outros tons.

Olhos ingênuos
Que observam várias tendências,
Que nas impressões que têm
Explicitam a transmissão de muitas influências.

Olhos castanhos,
Que algumas vezes parecem estranhos,
Distraindo meu olhar enfadonho,
Não sabendo tudo aquilo que proponho.

Olhos serenos,
Trazem quimeras p'ra mim,
Como uma primavera eterna,
Uma plenitude sem fim.

Olhos graciosos,
Por vezes inóspitos,
Frios e calorosos.

Eu quero a presença desses olhos,
O amor que deles expande
Maravilhando meus instantes.
Preciso de teus olhos inconstantes.

By. Alan Oliveira






Sou muito pequeno diante do mundo,
Mas posso ser grande de intenções,
O problema são as minhas inadequações
Sobre tudo que se encontra ao meu redor.
Surge uma desimportância tamanha,
Um não querer que me afunda sob um mar de renúncias.
Um não ter que instiga um coração
A andar pelos caminhos da resignação
Sem qualquer mínimo de noção.
Sem saber o que vem adiante,
Se está próximo ou distante.
Coisas que não mais me interessam,
Que não mais me importam.
Fatos que me levam à despretensões sobre todas as situações.
De tudo o que existe no mundo, nada mais quero saber,
Antes que acabem aflorando o meu perecer.

By. Alan Oliveira


Eu quero encontrar meu lugar.
Eu pretendo achar meu caminho.
Desfazer meus desatinos,
Desobstruir meu destino.
Só tenho a companhia agora de injúrias
Que batem à minha porta.
Indecisões vitais,
Sentimentos anormais,
Horas descomungais,
Idéias banais.
Não consigo prosseguir com tamanha displicência.
Uma fraqueza atormenta minha cabeça.
Tenho de levantar e continuar antes que eu enlouqueça.
Não peço piedade ou compaixão,
Só preciso de um mínimo de atenção.
Para acabar com esses instantes de solidão,
Essa constante desimportância e infinita distância.
E tudo é uma angústia dinâmica.
Mas eu sei que banhado nessa solitude
Eu aspiro a fé uma das mais belas virtudes.

By. Alan Oliveira


Acordei e lembrei de quando andávamos na rua.
Também recordei de como brincávamos na infância.
E tudo que queríamos era rir e nos divertir
Sem imaginar o que viria a surgir.
Eu via felicidade em você,
Você via lealdade em mim,
Mas o tempo respondeu agressivo em nosso caminho.

Nada, não peço nada.
Nada, não imponho nada.
Não me faça cobrar um mínimo de atenção,
Para que eu possa ver uma ponta escondida de comoção.

Tudo que fazíamos desapareceu.
Os dias de estarmos juntos morreram.
Responsabilidades desintegraram o convívio.
E momentos felizes retidos, dando lugar ao infindo vazio.
Nossas vidas separadas por horas desgastadas.
Sinto que não sinta a mesma alegria e cumplicidade
Que tinhamos à outras idades.

Mas tudo bem se não conseguir restituir o tempo vivido
Que talvez em ti se encontre esquecido
Pois estará inerente em minha memória.
Resguardarei os acontecidos de nossa história.

By. Alan Oliveira



Tem gente que se acha presente
E não consegue enxergar que está quase ausente.
Gente que pensa que muda a vida da gente.
Gente que diz que tem identificação
E não passa de um demente, praticamente indigente.
Gente que está doente e não procura tratamento decente.
Tem gente que repara no seu andar, jeito de falar,
Mas não vê a cagada que faz ao te apontar.
Tem gente que não admite seus erros,
Mas se acha juiz de teus defeitos.
Gente que diz que é feliz
Só por ter um sportage, uma prada, laptop ou Tv LCD
Mas não liga p'ra infelicidade que emprega
Quando não doa uma moeda p'ro mendigo fedendo à merda.
Tem gente que quer ser dono do mundo
E se esquece que todos que tentaram ser
Acabaram mudos dentro do aguardado buraco fundo.
Tem gente que se amarra em skol, coca e mcdonald's
E enriquece cada vez mais o milinário que te chama de otário.
Tem gente que defende partido, time, marca, religião
E cada vez mais enaltecem sua estúpida razão,
Pensando que o ouvido da gente é orelhão.
Gente que não é gente se não estiver inserido em algum padrão.
Tem gente que quer interferir na vida da gente. 
Gente que mente que nem sente, se achando gente.
Gente que é feito palito de dente.
Gente que não te entende.
Por que será que a gente faz parte dessa gente?
Por isso que de gente eu tô descrente.

By. Alan Oliveira



Olhe as estrelas,
O bater das asas de uma borboleta,
O sol nascente ou poente,
O vento que se sente,
A grama verde que repousa bela,
As nuvens que parecem flutuar no ar,
A folha seca pelo chão a deslizar.
São momentos que não cabem no cotidiano humano imediatista.
E sem tempo para olhar a primazia reduzida,
Não dão devida importância às coisas simples da vida. 

By Alan Oliveira



Tenho sonhos curtos, reais, absurdos
Límpidos ou escuros,
Inocentes e impúros.
Sonhos que não passam de ilusões,
Outros que me levam à decisões.
Sonhos que envolvem emoções,
Alguns que podem ser premonições.
Sonhos que surgem não dando lugar às minhas razões.
Sonhos sem explicações.
Por vezes lindos, mágicos, constantes,
Erráticos, nebulosos, tenebrosos.
Sonhos certos ou tortos.
Sonhos ilógicos.
Sonhos que permeiam a mente da gente.
Que movimentam nosso inconsciente.
Sonhos que vão e vêm
E que só entende quem têm.

By. Alan Oliveira



Será que levanto?
Será que fico assim deitado?
Será que saio?
Ou vou ficar aqui trancado?
Tomo o café ou almoço de uma vez?
Interajo com o mundo ou me atiro num desinteresse profundo?
Vou ao encontro do chuveiro?
Entro em desespero?
Em estado de devaneio?
Diga-me, por favor, 
Pois já não me esperam as horas.
Ai meu Deus, o que eu faço agora?

By. Alan Oliveira



A partir de hoje não darei mais valor às coisas insignificantes que julgam importantes.
Não permitirei que imponham 'verdades errantes' sobre opniões que considero certas,
Fazendo com que eu veja o mundo de forma limitada,
Inadequando minha alma, corrompendo minhas idéias, matando minhas vontades.

A partir de hoje não quero aniversário, natal ou noticias de rádio
Não quero fazer parte dos acontecimentos que só exaltam o ego daquele que um dia era simples por essência.
Não olharei as pessoas com olhos de esperança, pois elas mesmas acabam se afundando na areia movediça de suas ações inconsequentes, de seus ditos impertinentes, dos seus pensamentos imponentes.

A partir de hoje não irei atrás de nada nem de ninguém,
E não me importa se classificarão como desdém.
Não pretendo me reparar pelos olhos de outrém,
Nem mesmo me olhar como aquele que está além ou aquém.

A partir de hoje sei que quanto mais se diz a teoria menos se aplica a execução.
Embasamento na razão, não na emoção.
Moldam-se naquilo que o mundo os impõem, não enxergam o que a alma dispõe.
Confortam-se com a vaga ilusão de que há garantias pelo fato de participar de determinadas ideologias.

A partir de hoje sigo o meu coração não fazendo mais questão.
Não escolhendo grupo, cara ou nação.
Não desmerecendo o que creio ou desrespeitando meus gostos.

Serei somente um cara que estará onde nada mais me abalará,
Estarei no meu canto onde posso ter a confortavél companhia de mim.
Não "lá", "acolá" ou "ali" mas no meu sublime "aqui".


By. Alan Oliveira



Vou lhe contar uma estória acima do real.
Me encontro no meu espaço sideral.
Sentado sobre a lua eu olho a imensidão,
As estrelas de cada constelação.
Deixo me levar pela crescente emoção
Que solta de meu coração.
A indignação permeia meu consciente.
A loucura invade meu inconsciente.
Maravilhado com as cores,
Acreditando no inimaginável,
Estou fora de órbita.
Sem pensar em partir ou chegar,
Uma vontade tamanha de ficar.
É que aqui não podem me aprisionar.
No meu imaginar, eu sigo na direção da liberdade.
Sem idade aparente e julgamentos presentes
Brotam asas de minhas costas.
Eu posso voar, me lançar sem me preocupar que altura alcançar,
Na beleza universal me integrar,
Transcender meus limites,
Desvendar os segredos de uma estirpe.
Netuno, minha morada.
Vênus me abraça,
Um cometa me ultrapassa,
Um sol que me esquenta,
Um plutão que me esfria,
E uma lua que me inebria.
Quem dera existir espaço igual,
Mais brilhante e fantástico que o normal,
Onde eu buscaria morar
E desse rígido real me ausentar.
Mergulhar nas profundezas da imaginação.
Acalorar a frieza do lado racional.
É lógico que só no meu espaço sideral.

By. Alan Oliveira



Eu olho as folhas verdes de tamanhos e formas distintas,
Elas balançam de um lado pr'outro ao toque do vento
E como um intento, todas parecem bailar enlouquecidas
Exibindo sua visível clorofila.
É sempre assim, elas não têm muita opção.
Bate um vento e vão para qualquer direção.
Do céu desce água e logo estão espelhadas.
O sol arde, um braseiro aceso, e todas viram cinzas por inteiro.
Folhas não ligam p'ro amanhã,
Elas simplesmente se envolvem com a real situação do hoje
E se integram ao belo ou cruel instante.
Há dias em que ficam paradas, parecem estar distantes.
Talvez estajam tristes esperando algo, novos acontecimentos.
Mas como não depende somente delas,
Contam com passar lento do tempo.

By. Alan Oliveira


Ah! se você soubesse...
Da vontade que sinto de te abraçar,
De seu sorriso meigo que fica a me contagiar,
Desse simpático jeito que me faz encantar.

Ah! Se você soubesse...
Do desejo que tenho de te ter,
Das palpitações que surgem ao te ver,
Do desconserto que invade meu ser
Quando seus olhos penetram em minhas percepções,
Despertando as fantasias vivas contidas.

Ah! Se você soubesse...
Do incomensurável amor que transborda de meu peito
Sempre que te anseio,
Das palavras bendizentes que tenho a proferir,
Da intensidade afetiva
Que nos levaria a acionar a comunhão de nossas bocas,
Do singelo carinho
Que estaria a desatar as amarras que me fazem prisioneiro de meus medos.

Ah! Se você soubesse...
O quanto quero o acalento de seus braços,
O quanto espero por seus dedos em meus cabelos,
Pelo enquadramento de meu olhar em sua face,
Por emoções autênticas, sem disfarce.

Ah! Se você soubesse
Que constantemente me enlouquece,
Que periodicamente me enobrece,
Bem perto de mim gostaria que estivesse.

Ah! Se você soubesse...



Não sou como você pensa,
Não dou valor à efemeridades.
Estou acima de tuas opiniões.
Só quero uma chance para mostrar minhas convicções,
E pisar sobre tuas ignorantes razões.
Tenho direito de expressar o que sinto,
Pois assim eu me desminto.
Tenho direito de talvez errar, me arriscar, contraditar o que você espera.
E se ainda vier opinar,
Não vou hesitar em discordar.
Eu quero oficializar minhas emoções,
Expandir meus sentidos.
Não respeitas minha decisão,
Uma insistência que nos leva à discussão.
Disses que não quero progredir.
É porque não me permito regredir
E ter de à degeneração sucumbir.
Sei do que preciso, só espero um mínimo de crença.
De alguém com um pouco de confiança,
Para que não apagues minha esperança
E eu não tenha de me afastar de ti.
Indeferentar teu ser e me ressentir,
Impor meu 'sim' para poder ser leal a mim.

By. Alan Oliveira



Essa água de chuva que escorre ao canto da rua.
Segue ao encontro de seu destino peregrino,
Despeja-se no rio e se espalha na fluida corrente que vai.
Sem cessar sua jornada
Encaminha-se rumo a um desconhecido nada,
Na busca de um tudo que se pressente.
Ela molda-se, ultrapassa barreiras, se esquiva das armadilhas derradeiras.
O importante é se deixar levar.
Ir além e nunca parar.
Para que um dia, quando não haver mais esperança de continuar,
Ela possa desaguar e se fundir aos imensos mistérios do mar.
Expande-se, e descobre que seguia em direção a um lugar
Em que para prosseguir será preciso se renovar.
Então ela entrega seu sinuoso deslizar
E evapora-se para acima de nós estar.
Junto do ar se deslocar
E novamente em chuva se transformar.

By. Alan Oliveira



Eu vejo o sol bater no vitral.

Os pássaros cantando num único coral.

O céu azul em um dia natural.

Sinto a água da torneira do quintal, escorregar pelo chão seco,

Entrepassar os dedos dos meus pés.

Uma lembrança surge do meu invés.

Um dia de harmonia colore a fantasia,

Aguça minha emoção,

Acende minha satisfação.

Gostoso momento de se entreter,

Maravilhar os minutos de um novo amanhecer,

Para contagiar os instantes do meu viver.

Dar as costas para cidade.

Enaltecer a simplicidade

Que carrego dentro do peito

E aponta em minha personalidade,

Para demonstrar os primórdios de minhas verdades.

By Alan Oliveira



Eu quero um céu azul,
Almejo um céu azul.
Até quando a tempestade perdurará?
As nuvens escuras continuarão a se expandir?
A época de trevas vir a se extinguir?

Eu luto por um céu azul.
Tento buscar um céu azul.
Elevar meu sutil sentimento.
Mas o tempo fecha,
O escuro adentra,
A esperança se afugenta.

No entanto, eu creio num céu azul.
Hei de olhar um céu azul.
Por maior que seja a escuridão.
Por menor que esteja meu coração.
Não deixarei que o mal me contenha,
Que a presença do medo me obtenha.

Procuro um céu azul.
Um dia, em alguma hora ou lugar,
Em um céu azul eu vou estar.

By. Alan Oliveira



Desculpe, mas não vou prometer o que não posso fazer.
Essa minha condição me desvincula do padrão, eu sei.
É mais forte que minha razão.
Eles podem não entender,
Mas me diga como comprimir o que é inerente ao viver de meu ser.
É triste a indiferença que é tratada a diferença.
Se sentir um inseto em meio ao Olimpo,
Um descaso ao acaso.
Isso, algumas vezes, pode ser um tormento mas eu aguento.
Afinal, de que adianta me igualar aos iguais
Se somos todos desiguais.

By. Alan Oliveira

Seguidores

Pessoas online

About this blog

Um poema são sentimentos expressos através de palavras sobre as impressões de um indivíduo. Espero que gostem do que escrevo, sintam-se em casa e invadam sempre que quiserem!

Quem sou eu

Minha foto
Homem, 26 anos, dizendo coisas indizíveis.